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Contextos históricos da Terapia Holística

23 de setembro de 2026

As terapias holísticas vêm ganhando muitos adeptos em todos os países ao longo das últimas décadas. Muitas dessas técnicas  caminham junto desde o início da humanidade. Desde sua origem, os seres humanos herdaram tais conhecimentos instintivos e rapidamente os apreenderam pela observação de animais que também faziam uso dos recursos naturais para curarem seus machucados.

O mais antigo ancestral encontrado com evidências de desequilíbrios (no caso, eram problemas ósseos) era um Homo Erectus de 800.000 anos atrás. Os homens da Idade da Pedra (Paleolítico - até 8000 a.C., Mesolítico – de 8000 a 6000 a.C. e Neolítico – de 6000 a 3000 a.C.) eram acometidos por muitas das mesmas disfunções que o homem moderno.Eram bons observadores, e deduziram a estrutura e funções básicas de vários órgãos e a ação terapêutica das plantas. Possuíam uma ligação fundamental com a natureza, tentando traduzir seus sinais, simbolizar com o que a tribo havia feito se aparecia uma doença em algum membro do grupo, era igualmente um caso para toda a comunidade, que de alguma forma, estaria em desarmonia com o Universo e isso se refletia em um ou mais dos integrantes da tribo. Até hoje algumas tribos africanas fazem isso, conhecido como UBUNTU, quando algum membro da tribo faz algo ruim,todos se reúnem em circulo e lembram-no de suas origens, suas características, e que todos juntos são responsáveis pelo bem estar do grupo.

Nas mais variadas culturas, o consenso era a de que o equilíbrio seria o estado natural e as desarmonias decorreriam por desagrado aos deuses, às forças da natureza, ao Universo. Toda enfermidade teria uma mensagem a ser compreendida, cuja importância ia além do indivíduo, sendo comum a participação de toda a comunidade no tratamento. Nesse contexto histórico surge então de uma maneira bem marcante na história da cura, da saúde e da doença a figura do “xamã”. O xamã-sacerdote atuaria como intérprete da vontade das forças universais; compreendendo tudo como profundamente interconectado, pesquisaria nas estrelas do céu, nos ventos, na natureza, nos sonhos, enfim, buscaria por sinais, cuja leitura lhe transmitiria o caminho da terapia. Esses curandeiros eram pessoas que se recuperaram de grandes perdas, traumas e situações de quase-morte, o que, inspiraria admiração do grupo por mérito real, implicaria que teriam intimidade e conhecimento maior junto às forças do universo. Reconhecido como o  porta-voz oracular de seu povo, professando um papel de agente equalizador de forças, mediante sua cumplicidade com a natureza, detinha a sabedoria de interpretar os seus desígnios e escutar os seus apelos a fim de contrapor às dificuldades da vida, seus ritos e passes eram capazes de reinstaurar a ordem cósmica, garantindo assim a permanência e saúde de seu clã ao longo das gerações.

O crescimento de grandes civilizações propiciou o advento da escrita, acrescentando mais um instrumento de perpetuação do conhecimento terapêutico e, ao mesmo tempo, de elitização, já que a leitura e a escrita eram privilégios para poucos. No período do 2o milênio a.C., a História ocidentalizada registra o surgimento das primeiras escolas no Egito e na Mesopotâmia, com a elaboração de tratados e códigos de conduta, muitos dos quais chegaram até nossos dias. A terapêutica era associada aos templos, continuando atribuição do sacerdócio, já que as desarmonias de cada um resultavam de sua inadequação perante os desígnios do universo, representados pelas divindades.

Na antiga civilização Grega, as obras de Homero (750 a.C.) divinizavam a terapêutica, atribuindo-a aos deuses e heróis mitológicos. Haviam os templos destinados à terapêutica, muitas vezes sem a intervenção dos sacerdotes, com o povo rezando diretamente às divindades. A Grécia, em meados do século V a.C., começa a sistematizar a terapêutica, por meio dos filósofos pré-socráticos, culminando em Hipócrates, cujos textos pregavam a abordagem holística, mas cuja prática estimulou a separação da terapia dos demais ramos do conhecimento, dando nascimento ao que hoje se chama medicina.

O sacerdócio começa a romper com a terapêutica, surgindo os primórdios da figura do médico atual e da abordagem “científica”, ruptura esta que culmina com Galeno, grego que atuava em Roma, em meados de 164 a.C., talvez sendo o primeiro “médico”, já que estabeleceu “doenças” como sendo de natureza orgânica, e o estudo do corpo pelo “desmembramento de seus componentes”.

Na Idade Média, apesar das grandes transformações desencadeadas pelas invasões bárbaras e pela difusão do Cristianismo e Islamismo, a Igreja Católica estabeleceu-se pela força como proprietária da verdade divina e seus sacerdotes já não atribuem mais a si o papel de terapeutas; na verdade, cada vez mais em oposição se estabeleciam os poderes da da igreja e os da medicina, pois esta abraçara a ciência, cuja objetividade frequentemente se defrontava com a interpretação e até à existência em si, dos dogmas da fé.

Até o que chamamos hoje de práticas integrativas a terapêutica mudou, ampliou, restaurou, reformou, evolui, transmitiu, enfim, passou por diversas alterações consistentes. Na última década, expandiu muito, em vista da facilidade das redes sociais, internet e televisão. Desde a antiguidade até os dias atuais seus fundamentos e base vivem através de gerações e gerações de pessoas que continuam a buscar os símbolos, significados e interpretações onde a visão da doença e da saúde integra o microcosmo (ser humano) ao macrocosmo (universo).

A prevenção da saúde, em sua melhor versão está ainda em uma vida dotada de atividade física diária, alimentação correta, pensamento correto. A cura de um desequilíbrio está no reparo do sistema mental e emocional, resignificar momentos importantes da vida, conectar com a sabedoria interior, mudar hábitos, comportamentos e relacionamentos nocivos, utilizar os recursos naturais como a argila, as ervas medicinais, os florais, o suplementos naturais, o repouso dietético, a meditação, a contemplação dos fatos, massagens, hidroterapia, terapias energéticas entre muitas outros recursos para equilibrar o sistema corporal, emocional e nervoso. Fazer uma terapia completa, para ir deixando a vida mais leve, mais fácil e cheia de significados e assim chegar a atingir de fato todos os corpos humanos, chegando à fonte criadora.

E você, o que tem feito em prol da sua saúde integral? Quais rotinas preventivas, quais cuidados, ritos, ou recursos têm utilizado para gerenciar sua saúde?

Desde a antiguidade muitos recursos estão disponíveis para nos facilitar o bem estar e a evolução, basta se abrir e acessar o que lhe favorece e engrandece.

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